No meu último aniversário meu querido cunhado, Gustavo Barbosa, me presenteou com esta pérola:
Entrando de férias, tratei de iniciar logo a leitura e confesso que demorei um pouco a me adaptar à tradução. Certos termos no mundo rock'n'roll precisam ser mantidos no original e os superlativos "cataclísmicos" não soam tão bem em português, mas vencida essa estranheza, passei a curtir cada vez mais o texto.
Não raramente vejo amigos através das descrições dos primórdios desse som que me encanta desde a infância. Quando Christe descreve Lars Ulrich iniciando o Metallica, por exemplo, é impossível não lembrar de André Bighinzoli e imaginar seu xará Delacroix usando camisas de bandas européias e montando suas próprias bandas. A década de 80 é cheia dessas referências: as sessões de rock na casa do Jorge Luís Mattoso; a nossa dificuldade em conseguir os discos; os vídeos de qualidade duvidosa que assitíamos fascinados; o imenso poster do Iron Maiden que Eduardo Barbosa tinha no seu quarto... Mas isso já é assunto pra uma outra postagem.
Por hora, gostaria de citar parte do primeiro capítulo, dedicado ao surgimento do Heavy Metal com o lançamento do álbum Black Sabbath em 13 de fevereiro de 1970. Segundo Christe, o álbum que contém a música de mesmo título, não somente renomeou a banda, mas também mudou a história do rock'n'roll para sempre.
"Antes do Sabbath, 'heavy' referia-se mais a um sentimento particular do que a um estilo musical; na gíria hippie era usado para descrever uma disposição mais potente de qualquer coisa. Jimi Hendrix e os Beatles, com frequência, escreviam músicas que apontavam para uma direção heavy, uma ponte entre melodias que tentavam resolver emoções e ideias conflitantes. O 'metal' do heavy doou uma vitalidade de aço a essa luta, uma força temática inquebrável que garantia tensão, além de emoção desimpedida. Conforme ordenado pelo Black Sabbath, o heavy metal era um complexo turbilhão de neurose e vontade. Transformado em uma incorruptível força de simplicidade ilusória, tinha um apetite nem um pouco seletivo pela vida." (p.22)
E assim, Christe segue descrevendo a formação de bandas nas décadas de 70 e 80 na Europa e Estados Unidos, influenciando seguidores em todo o mundo. As publicações e gravadoras também vão crescendo para atender ao novo público, que demanda mais e mais peso. E por essa estrada vão surgindo o power, o black, o trash metal.
Continuo lendo a história que acompanhei e revivendo momentos e pessoas que me fizeram como sou. Recomendo o livro a todos que curtem rock'n'roll e especialmente Heavy Metal. E como sugere o próprio autor, "LEIAM EM VOLUME MÁXIMO!!!"
Valeu, Gustavo! \m/
Heavy Metal: a História Completa
Autor: Ian Christe
Título Original: Sound of the Beast - the complete headbanging history of Heavy Metal
Tradução: Milena Durante e Augusto Zantoz
Editora Arx, Saraiva - São Paulo, 2010
Impressões
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
Razão no Coração
Não é por acaso que começo hoje a escrever nesse blog. 8 de janeiro. Hoje meu pai faria 69 anos. Meu pai que, entre grandes lições me ensinou que a vida é para ser vivida. E ele viveu a vida em sua plenitude. Viveu seus erros e seus acertos viveu. Embalado pelo vento quente de Pernambuco veio para o Rio de Janeiro, sentindo-se acolhido na camaradagem carioca. Dentre seus poetas preferidos, Vinícius de Moraes sempre teve destaque e citava com prazer de quem não só entendia, mas vivia seus poemas em música, cantarolando, por exemplo:
"Você que só ganha pra juntar
O que é que há, diz pra mim, o que é que há?
Você vai ver um dia
Em que fria você vai entrar
O que é que há, diz pra mim, o que é que há?
Você vai ver um dia
Em que fria você vai entrar
Por cima uma laje
Embaixo a escuridão
É fogo, irmão! É fogo, irmão!"
Embaixo a escuridão
É fogo, irmão! É fogo, irmão!"
(Vinícuis de Moraes - Testamento)
Da laje fria, tenho certeza, ascendeu sua alma rapidamente a um bar entre Ipanema e São Cristóvão, onde todas as tardes reúnem-se o Poetinha e Tom para mais um copo ao som dos sambas que meu pai deve estar batucando na caixa de fósforos.
Salve, pai! Saravá! Você encontrou seu paraíso. Deixa saudades, mas acima de tudo a certeza de que estará sempre comigo. Segue em paz porque sua missão aqui foi cumprida com maestria!
"Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Nao há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão"
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão"
(Vinícius de Moraes - Como Dizia o Poeta)
Nesse blog trago, como diz o título, minhas impressões sobre o que vivo, vejo e imagino. Cada um enxerga a vida de uma maneira e tenho vontade de compartilhar a minha. Séries de pensamentos e idéias; fatos e ficções; vontades e esperanças. Eu estou aqui em textos e impressões.
Assinar:
Postagens (Atom)

